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João Miranda

joaomhmiranda@outlook.com

Arquiteto e Doutorando no Departamento de Arquitetura da Universidade Autónoma de Lisboa (Da/UAL), Portugal. CEACT/UAL – Centro de Estudos de Arquitetura, Cidade e Território da Universidade Autónoma de Lisboa, Portugal.

 

Para citação: MIRANDA, João – Begin Again. Fail Better. Estudo Prévio 28. Lisboa: CEACT/UAL – Centro de Estudos de Arquitetura, Cidade e Território da Universidade Autónoma de Lisboa, junho 2026, p. 173-182. ISSN: 2182-4339 [Disponível em: www.estudoprevio.net]. DOI: https://doi.org/10.26619/2182-4339/28.02

Recebido a 11 de janeiro de 2026 e aceite para publicação a 3 de março de 2026.

Creative Commons, licença CC BY-4.0: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

[1]

  • Como conceber uma publicação ou uma exposição a partir de desenho(s)? Como iniciar uma investigação sobre o acto de projectar a partir de uma reflexão sobre os princípios — ou os começos — e sobre o processo? Como começar?

Begin Again. Fail Better foi publicado por ocasião — e na sequência — da exposição Begin Again. Fail Better – Preliminary Drawings in Architecture (and Art), realizada no Kunstmuseum Olten, em Olten, Suíça, entre 1 de junho de 2024 e 25 de agosto de 2024. No entanto, o volume publicado omite deliberadamente o componente artístico que integrava a premissa original da exposição. Afastando-se do enquadramento estabelecido por uma exposição apresentada num museu de arte, a publicação centra-se predominantemente na arquitetura, empreendendo uma redefinição crítica do campo disciplinar e do papel do desenho enquanto instrumento conceptual e experimental de projecto, processo de trabalho e meio de comunicação [2].

A ideia e a investigação do projeto Begin Again. Fail Better, de matriz curatorial e editorial, pertencem a Manuel Montenegro. O projeto, cujo título se inspira numa citação de uma obra de Samuel Beckett, publicada na década de 1980, foi sendo construído paulatinamente por Montenegro em torno de uma das atividades centrais do arquiteto no processo de projeto: o desenho, mais especificamente o desenho à mão. Esta investigação articula-se tanto com a sua experiência no trabalho com arquivos, a nível nacional e internacional, como com o seu conhecimento aprofundado da coleção Drawing Matter (Drawing Matter Collection), sediada no Reino Unido — em particular do conjunto de materiais do arquiteto português Álvaro Siza — e da organização homónima. Estes fatores convergiram na conceção de um projeto que toma como ponto de partida os desenhos pertencentes à coleção, uma parte significativa dos quais corresponde a desenhos à mão.

O projeto Begin Again. Fail Better não se apresenta como um retrato, nem como um estado da arte sobre a prática do desenho em arquitetura (ou nas artes visuais). No entanto, pretende afirmar o desenho como instrumento central do pensamento arquitetónico [3]. O projeto induz uma tentativa de reflexão, introspeção e autoavaliação, não apenas por parte dos seus principais autores, mas também por parte de todos os contribuidores para a publicação. Nesse sentido, não é acidental que o primeiro desenho apresentado na publicação — funcionando igualmente como referência visual da exposição — seja um desenho à mão (autorretrato), datado de 1980, de Álvaro Siza [4].

É estranho começar pelo fracasso, ainda que o seu resultado possa ser duradouro, porque embora o fracasso aconteça num instante, ocorre dentro de um contínuo [5].

Figura 1 – Desenho [Autorretrato] de Álvaro Siza, 1980 (Fonte: Drawing Matter / © Álvaro Siza)

Tomando a coleção Drawing Matter como ponto de partida, a representação de princípios através do desenho desenvolve-se com a inclusão de instituições sediadas na Suíça [6]. A estas juntam-se mais de cinquenta ateliers de arquitetura internacionais, contribuindo para a construção de uma paisagem da prática arquitetónica helvética [7].

Assim, estabelece-se uma relação dual entre as organizações/instituições que acolhem coleções e os autores de documentos que, situados fora dessas mesmas estruturas institucionais, permanecem integrados nos ateliers de arquitetura. Desde a sua génese, configura-se um diálogo contínuo entre material contemporâneo designado como histórico e documentação proveniente da prática de ateliers de arquitetura em atividade. Relacionam-se, assim, documentos de natureza arquivística — ou ainda não arquivística — com o próprio processo de projeto, quer oriundos de instituições, quer dos próprios autores, situados em diferentes geografias e contextos.

Numa relação de convergência espacial e conceptual, foram reunidos desenhos de arquitetos de diversos ateliers suíços através de um convite lançado pelos autores do projeto, que procuravam contribuições de “desenhos situados no início de um processo arquitetónico” [8]. Apresentados inicialmente no contexto da exposição, estes trabalhos foram posteriormente documentados por Kaspar Ruoff (Kunstmuseum Olten), cujas fotografias constituem o principal registo visual da publicação. Em conjunto, os desenhos e a respetiva documentação formam a base do livro publicado. Devido ao elevado número de materiais apresentados na exposição — uma seleção com cerca de duzentas obras de arquitetos, provenientes de várias coleções e abrangendo um arco temporal compreendido entre o século XVI ao século XX — não foi possível integrar todo o conteúdo na publicação. Optou-se, assim, por garantir a representação de todos os ateliers participantes na exposição, procedendo-se a uma seleção criteriosa dos materiais provenientes das instituições/organizações envolvidas [9].

  • O que constitui o início ou o princípio de um projeto — ou de um desenho? Que lugar ocupa a “falha” (ou falhar) no processo arquitetónico ou de que modo podem ser criadas condições para tal? Qual é o papel do desenho na formação do pensamento e na prática arquitetónica?

Juntamente com Montenegro, Helen Thomas e Marco Bakker formam a tríade de autores que formalizou o projecto em estreita colaboração com figuras do Kunstmuseum Olten (Dorothee Messmer e Katja Herlach). Este facto encontra ressonância na própria estrutura da publicação, que segue uma lógica tripartida. A primeira secção é composta pela Introdução e pela única entrevista do volume — uma entrevista — com o mesmo título do livro — conduzida por Thomas e Bakker a Montenegro. Enquadrada como um diálogo, mais do que como um ensaio convencional, esta revela o processo, as intenções e os fundamentos conceptuais de Begin Again. Fail Better.

A ‘Introdução’ situa a produção editorial a partir da obra literária e desenvolve-se sobre o tema desenho: não só como manifestação de pensamentos espaciais como também estruturadores de ideias; e constelações de texto que relacionam o processo de desenho (e projeto) com o mote da publicação e diversas perspetivas (e contextos) para os desenhos.

A segunda secção inclui o ‘Catálogo de Desenhos’ e ‘Interlúdios’. Os oito ensaios escritos (‘Interlúdios’) são redigidos por diferentes autores — Niall Hobhouse, Charles Pictet, Adam Caruso, Ludovica Molo, Irina Davidovici, Stéphanie Bender e Philippe Béboux, Matt Page e Pier Vittorio Aureli — e são incorporados na publicação enquanto momentos de reflexão entre desenhos denominados no projeto como ‘preliminares’. Estes contributos destacam diversos temas intimamente relacionados com os respetivos autores e oferecem uma reflexão densa e estratificada sobre arte, arquitetura e desenho. A terceira e última secção reúne quatro contributos escritos: três textos em formato ensaio — de Messmer, Bakker e Thomas — e um quarto contributo, constituído por um compêndio de cinco textos (1978; 1979; 1980; 1983 e 2024) de Siza, selecionados e traduzidos por Montenegro.

O livro, com 225×300mm, em orientação horizontal, encadernado em capa mole de linho com agrafos e impresso em papel de elevada gramagem e de alta qualidade, evoca a sensibilidade táctil e visual de um caderno de desenho de um arquiteto em formato ampliado. Ao longo das duzentas e dezoito páginas, exibem-se desenhos em cento e setenta e sete delas, sendo que algumas páginas contêm mais do que um desenho, compondo conjuntos de imagens. A sua orientação horizontal reforça essa associação, sugerindo um modo de leitura simultaneamente físico e reflexivo.

Embora o índice apresente as secções com referência às páginas, estas permanecem propositadamente sem numeração — uma decisão que acentua o sentido de informalidade e de processo, característico de um caderno de desenhos enquanto objeto de trabalho ou de notas de um arquiteto. Esta omissão deliberada estimula uma experiência de leitura não linear, convidando o leitor a folhear, revisitar e descobrir, em vez de seguir uma sequência fixa e pré-determinada. A ausência de paginação encontra-se conceptualmente alinhada com o enfoque temático da publicação: o ato de observar e estudar desenhos preliminares de arquitetura. Promove um modo de leitura atento e pausado, análogo à experiência de consultar materiais de arquivo em instituições ou noutras coleções, como a Drawing Matter.

A decisão editorial de excluir a numeração das páginas pode também ser entendida como uma tentativa de replicar o encontro fenomenológico com desenhos originais, onde a sequência e a hierarquia se dissolvem em favor da descoberta visual e material. Do mesmo modo, o design gráfico do livro sugere a inserção numa memória de álbuns arquitetónicos e cadernos de desenho — como Siza —, em que a materialidade da publicação contribui decisivamente para a experiência interpretativa. A estratégia curatorial transforma, o livro num meio interpretativo em si mesmo: um objeto que desafia o leitor a oscilar entre observar e examinar, entre analisar criticamente e interrogar sobre o processo, entre a imediatidade visual do desenho e a estrutura discursiva proporcionada pelas reflexões que o acompanham.

Desta forma, o livro funciona simultaneamente como objeto de estudo e artefacto curatorial — algo que deve ser examinado, contemplado e visualmente experienciado em múltiplas ocasiões. As suas qualidades físicas e visuais sublinham a sua dupla identidade: compilação de contributos escritos e visuais e objeto sensorial que medeia entre as dimensões intelectual e estética da representação arquitetónica.

O formato permite que os desenhos ocupem uma área significativa em cada página, possibilitando ao leitor discernir as subtilezas do traço, as diferenças cromáticas — e até a textura dos materiais — bem como o equilíbrio compositivo. Esta generosidade de escala, não só favorece a apreciação das qualidades técnicas e artísticas de cada desenho, como também reforça a intenção curatorial dos editores: colocar o desenho em primeiro plano, enquanto instrumento de pensamento e artefacto da prática arquitetónica. Por esse motivo, a publicação não pode ser descrita adequadamente apenas como um livro de desenhos devidamente inventariados ou o catálogo da exposição, devendo ser compreendida como um compêndio reflexivo, no qual ensaios, contributos (interlúdios) e os próprios desenhos se encontram em diálogo — agora publicados enquanto coleção visual e exploração conceptual do papel do desenho.

  • O que significam, neste contexto, os conceitos de “princípio” (ou “começar”) e de “fracasso” (ou “falhar”)? De que modos pode o “fracasso” ser compreendido e poderão os desenhos incorporar ou revelar essa compreensão? Poderão os desenhos descrever ou articular simultaneamente uma ideia de “começo” e de “fracasso”?

A publicação, para além de convocar uma leitura pausada e atenta, coloca o desenho no centro da reflexão arquitetónica. O desenho à mão, neste projeto, assume-se como um instrumento que continua a ocupar um lugar central na prática arquitetónica, sendo entendido como um acto que funciona como reservatório de ideias, fonte de inspiração ou modo lúdico de descoberta de imagens-referência, operando como um destilador de pensamento e abrindo caminho à autoexploração.

Como mencionado anteriormente, é o desenho à mão que inaugura a publicação e, de forma simétrica, é igualmente o desenho à mão que a encerra, através de um desenho de Charles Percier para um projeto de museu ideal [10]. Fecha-se, assim, um ciclo que parte de um início ancorado numa reprodução desenhada do próprio autor-arquiteto — isto é, uma autorrepresentação [um desenho retirado de um caderno], na qual se observa o seu universo e o gesto inaugural, ou princípio, de um ato de projeto (ou não) — e culmina numa representação de um projeto não construído — um epílogo ainda não realizado, um espaço-lugar primeiramente idealizado e ensaiado através do desenho, evocativo, contudo, de uma arquitetura possível.

Entre as páginas quatorze (início da secção ‘Catálogo de Desenhos’, esporadicamente interrompida por ‘Interlúdios’) e a cento e noventa e sete, denota-se que a apresentação das obras segue não só a lógica do díptico do projeto curatorial da exposição original em Olten, como também a ordem alfabética dos ateliers convidados (e de alguns materiais das coleções) [11]. Esta estrutura permite ao leitor examinar, lado a lado, ideias e traços preliminares expressos em diferentes suportes, meios e técnicas. A disposição de um desenho por página possibilita a observação conjunta de dois desenhos no spread da publicação e tornam-se percetíveis nuances, variações e princípios que foram mantidos ou transformados ao longo do processo.

Begin Again. Fail Better convida à reflexão sobre a forma como um exercício curatorial e editorial podem tomar o desenho simultaneamente como matéria-prima e como meio de representação do processo arquitetónico. Conceptualmente, através do acto de desenhar — maioritariamente à mão, embora não de forma exclusiva, incluindo também desenhos produzidos digitalmente —, o projeto confronta e articula o desenho enquanto instrumento de exposição e de publicação em arquitetura [12].

Em última análise, uma questão que emerge é se esta publicação representa uma exploração tentativa ou uma intervenção deliberada no discurso arquitetónico contemporâneo. Limita-se a apontar para um debate em curso ou procura redefinir os termos desse debate através de um renovado envolvimento com o acto — e o processo — de desenhar? Se for este o caso, a sua posição ressoa com as palavras iniciais que introduziram a exposição, retiradas de Worstward Ho (1983), de Beckett:

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

Esta citação encapsula o potencial produtivo do binómio começo-falha num sentido de repetição e continuidade, enquanto condição crítica e geradora. No contexto do desenho arquitetónico, a invocação das palavras de Beckett reformula o ato de fazer, não como a investigação de algo definitivo, mas como um processo contínuo de iteração, reflexão e (re)interpretação. Este entendimento alinha-se estreitamente com a rítmica do processo arquitetónico e da prática criativa, que privilegiam a experimentação, a indeterminação e a natureza provisória da investigação da disciplina.

Num presente cada vez mais imprevisível, a produção arquitetónica contemporânea caracteriza-se pela sua capacidade de navegar a incerteza, transformando-se continuamente, repensando-se e redesenhando-se, ao mesmo tempo que acolhe o contingente e os ideais como espaços de potencialidade — de novos começos ou de fracassos. Neste sentido, as palavras de Beckett servem como estrutura conceptual para compreender a posição crítica da publicação: valoriza-se o iterativo, o inacabado, o especulativo, o incessante e a determinação como elementos centrais, tanto do pensamento e da prática arquitetónica.

Neste sentido, as palavras de Beckett constituem um enquadramento conceptual através do qual pode ser compreendida a posição crítica da publicação: o iterativo, o inacabado, o especulativo, o incessante, o determinado e o contínuo são valorizados como elementos centrais tanto do pensamento e da prática arquitetónica.

Concluindo, esta publicação pode ser lida simultaneamente como uma reflexão e como um contributo para o discurso contemporâneo em torno de princípios e da(s) tentativa(s), da autoria e do(s) processo(s) em Arquitetura. Desafia as hierarquias convencionais entre noções de sucesso e erro, entre a obra e o desenho (preliminar), afirmando, em vez disso, a relevância duradoura do desenho como instrumento de pensamento — um espaço onde o significado é continuamente adiado e (re)imaginado.

[13]

Notas

[1] Begin Again. Fail Better (capa do livro), 2024. Fonte: Kunstmuseum Olten. O livro intitulado Begin Again. Fail Better – Preliminary Drawings in Architecture foi desenhado pelo Studio Matthias Clottu, uma prática suíça de design e direção artística sediada em Londres.

[2] O livro foi lançado a 25 de agosto de 2024, na finissage da exposição realizada no Kunstmuseum Olten. Posteriormente, a exposição conheceu uma itinerância — não num museu de arte, mas num espaço dedicado à arquitetura — no Archizoom, da École polytechnique fédérale de Lausanne (EPFL), em Lausanne, Suíça, entre 5 de novembro de 2024 e 2 de dezembro de 2024. Significativamente, o título foi igualmente revisto para a sua apresentação na EPFL, passando a Begin Again. Fail Better – Preliminary Drawings in Architecture, omitindo assim a referência à arte presente no título original da exposição.

[3] Ver, sobre este assunto, as palavras de Manuel Montenegro: “All drawn lines are embedded with countless histories, experiences, and shared knowledge acquired from visits that have been made, books read, and problems resolved.” In Helen Thomas and Marco Bakker interview Manuel Montenegro, “Begin Again. Fail Better” (THOMAS; MESSMER; HERLACH; MONTENEGRO, 2024: 10).

[4] O desenho original encontra-se na página 22 do Caderno 51 (1980) do arquiteto Álvaro Siza. O Caderno de setenta e duas páginas, com as dimensões 300×210mm, foi adquirido por Niall Hobhouse, e pertence, até à data, à Coleção da Drawing Matter (DMC 2538). Fonte: DMC — Drawing Matter Collection.

[5] Tradução do autor de: “It is strange to begin with failure, even if its aftermath can be long, because although failure occurs in an instant, it happens within a continuum.” In Helen Thomas, “Sense, Sensibility, and Terms of Failure” (THOMAS; MESSMER; HERLACH; MONTENEGRO, 2024: 203).

[6] As instituições internacionais sediadas na Suíça, como o Archives de la construction moderne — École polytechnique fédérale de Lausanne (Acm-EPFL), o ETH Zürich, Departement Architektur, Institut für Geschichte und Theorie der Architektur Zürich gta (Archiv) (gta Archiv), o Balerna, Archivio del Moderno (AdM), Fondazione Archivi Architetti Ticinesi (FAAT), e Studio Vacchini (Studio Vacchini).

[7] Os ateliers de arquitetura presentes no projeto, organizados de forma alfabética, são: 2b architectes, 8000.agency, BABL, Barão Hutter, BCMA, Lillit Bollinger, Bosshard Vaquer, Buchner Bründler, Buol & Zünd, BUREAU, Buzzi Architetti, Caruso St. John, Christ & Gantenbein, Conen Sigl, Dreier Frenzel, Jean-Pierre Dürig, E2A, EMI Architekt:innen, Frei + Saarinen, GayMenzel, Gigon Guyer, Gmür Architekten, Graber Pulver, HHF, Manuel Herz, Jaccaud + Associés, Käferstein & Meister, Karamuk Kuo, Jan Kinsbergen, Knapkiewicz & Fickert, Büro Krucker, Lütjens Padmanabhan, LVPH, Corinna Menn, Miller Maranta, Pictet Broillet, Pool Architekten, Rapin Saiz, Lando Rossmaier, Enrico Sassi, Sauter von Moos, Schneider Türtscher, Sergison Bates, studioSER, studio we, studio WOW, Atelier Summermatter Ritz, Patrick Thurston, Truwant + Rodet +, WALDRAP e Weyell Zipse.

[8] Tradução do autor de: “drawings that are at the very beginning of an architectural process”. Ver, sobre este assunto, Helen Thomas, “Sense, Sensibility, and Terms of Failure” (THOMAS; MESSMER; HERLACH; MONTENEGRO, 2024: 202–207). Ver, igualmente, Marco Bakker, “The Element of Play in Drawing” THOMAS; MESSMER; HERLACH; MONTENEGRO, 2024: 208–209).

[9] Importa salientar que a proporção de material proveniente da Drawing Matter (DMC — Drawing Matter Collection) e de outras fontes difere entre a exposição e a publicação, em resultado das opções editoriais adotadas e da necessidade de assegurar uma representação integral dos ateliers na publicação Begin Again. Fail Better – Preliminary Drawings in Architecture. Assim, o material proveniente de instituições/organizações foi reduzido na publicação em relação à exposição, privilegiando-se, numa primeira instância, a representação dos ateliers convidados, mantendo-se, contudo, a lógica expositiva do díptico.

[10] Ver, sobre este assunto, o Desenho Preparatório de Charles Percier — Projet d’un Muséum Idéal, 457×584mm, 1796. Item patente na Colecção da Drawing Matter (DMC 3291 r). Fonte: DMC — Drawing Matter Collection.

[11] Na exposição Begin Again. Fail Better – Preliminary Drawings in Architecture (and Art) no Kunstmuseum Olten, as obras provenientes das coleções das instituições/organizações foram dispostas por ordem alfabética nas paredes do museu de arte, devidamente emolduradas, enquanto as dos ateliers convidados estiveram expostas em várias mesas com tampo de vidro, igualmente organizadas por ordem alfabética. Esta opção permitiu estabelecer uma distinção evidente entre planos — vertical e horizontal — correspondentes às diferentes proveniências dos materiais.

[12] As coleções das instituições/organizações, em articulação com as contribuições dos ateliers convidados, são centrais para esta discussão. Esta ligação de certa forma ambivalente convida-nos a pensar e a refletir — e talvez a reconhecer — que sinergias entre documentos com diferentes proveniências deveriam ser exploradas de forma mais recorrente. Num contexto contemporâneo, marcado pela imediatidade das respostas, pela aceleração dos processos e pelo desenvolvimento tecnológico exponencial, o projeto interroga de que modo é ainda possível observar criticamente a formação do pensamento arquitetónico através do desenho.

[13] Fotografia de Manuel Montenegro na finissage da exposição [25 de agosto de 2024], realizada no Kunstmuseum Olten, a assinar o livro Begin Again. Fail Better, 2024 (Fonte: Kunstmuseum Olten / Fotografia © Rachel Buehlmann).

 

Bibliografia

THOMAS, Helen; MESSMER, Dorothee; HERLACH, Katja; MONTENEGRO, Manuel (eds.) – Begin again, fail better: preliminary drawings in architecture. Zurique: Park Books, 2024.

Entrevistas

THOMAS, Helen – Begin Again. Fail Better, 2024.

BAKKER, Marco e MONTENEGRO, Manuel – Begin Again. Fail Better, 2024.

 

Agradecimentos

João Miranda agradece o apoio concedido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) através da Bolsa de Doutoramento 2024.00899.BD.