Editorial | Número 18

A publicação do número DEZOITO da revista EP – Estudo Prévio ocorre em pleno contexto de pandemia, num momento em que a comunicação, o ensino e as práticas profissionais foram obrigadas a um grande esforço de adaptação a ritmos diferentes e à contingência do confinamento e da obrigatoriedade de trabalhar on-line. Neste contexto, procurámos manter as premissas que definiram a EP desde o seu início. Ao reler o primeiro editorial que escrevemos, em 2012, vemos que o tema principal era a “crise”. Quase dez anos volvidos, vivemos uma nova crise – desta vez não apenas económica, mas sanitária e sociocultural -, que nos tem levado a questionar os modelos de organização do trabalho, das cidades e do consumo, e a sua relação com o mundo rural. Neste contexto, faz sentido, na nossa opinião, manter uma dupla visão: por um lado, revisitar os autores e projetos do século XX e contribuir para a construção de um pensamento sobre a cidade contemporânea, que nos permita fazer uma ponte entre o passado e o futuro. Enquadram-se nesta categoria os artigos A ténue linha entre arquitetura e escultura: “The sculpture village” (1987), Frank Gehry e Anthony Caro e No encalço de Oscar e a recensão Nova Oeiras – o Plano do Bairro Residencial. Por outro lado, abordar temas que se dediquem à discussão de futuros modelos de organização do território e das cidades. É o caso do artigo Agricultura urbana em Lisboa: uma leitura histórica e uma perspetiva de futuro. Como é habitual, a revista inclui, em texto e em áudio, uma entrevista a um arquiteto, desta vez Egas José Vieira, com quem conversámos sobre a sua vida como aluno, docente e arquiteto, recordámos a sua colaboração com Manuel Graça Dias (1953-2019), figura emblemática da arquitetura em Portugal (fundador do curso de Arquitetura da Autónoma e o nosso primeiro entrevistado, no número 00). Terminamos com a mensagem de Egas José Vieira aos alunos de arquitetura: “É uma profissão maravilhosa! É certo que é difícil e está cada vez mais difícil o acesso ao trabalho, somos cada vez mais, mas é realmente maravilhosa, se o não fosse, não estaria aqui, ao fim de quase quarenta anos, entusiasmado, a falar dela” 

Entrevista

Egas José Vieira

Cheguei à escola, portanto, vindo de um ano um bocado desamparado. Não tinha a menor noção do que seria o ensino da arquitetura. Tinha apenas, isso sim, um bom apoio familiar, durante largos anos visitámos, nas férias dos meus pais, quase toda a Europa e quase todos os museus europeus mais importantes. Era algo a que em Portugal, não era habitual. De resto, como aluno, era mais um, normalíssimo.

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