MANUEL GRAÇA DIAS cursos de arquitectura - ensino . 1ªparte

João Caria Lopes (JCL): Temos o enorme prazer de começar esta série de entrevistas com o Arquiteto, Professor e grande divulgador de Arquitetura, Manuel Graça Dias. Gostava de começar por confessar que foi um dos professores, se não o professor, que mais me marcou durante a Universidade. Sei que também teve um professor, penso que até antes da Universidade, que o marcou bastante...

 

 

Manuel Graça Dias (Mgd): Tive alguns professores que me marcaram bastante. No curso de Arquitetura, na antiga Escola Superior de Belas Artes [ESBAL], terão sido dois: o Escultor Lagoa Henriques, que mais tarde deu aulas aqui, no DA/UAL, e o Professor Manuel Vicente, que também dá cá aulas, ao segundo ano.

No Liceu tive um professor muito interessante, muito forte, muito marcante, o Pintor António Quadros, que foi parar a Moçambique, onde eu estava nessa altura, e foi nosso Professor de desenho, no primeiro período do antigo segundo ano do Liceu (agora sexto ano). Essa passagem de António Quadros pela turma, foi, para mim, muito reveladora, muito importante.
A primeira vez que nos deu aulas, disse-nos para começarmos a pintar um animal que não existisse, “com sete braços e sete pernas, cauda de crocodilo, cabeça de elefante, três pescoços de girafa”, o que quiséssemos. Ele estava naquela descrição, e já eu estava furiosamente a desenhar.
Tinha comigo umas folhas com esquadrias esforçadamente feitas em casa, como era mais ou menos obrigatório -- uma coisa que me custava imenso, borrava tudo, tinha de repetir umas dez vezes até conseguir uma esquadria decente -- e ele -- “O que é essa folha, porque é que andaste a perder tempo a fazer isto?” –, virou-me o papel ao contrário sentou-se e começou a mexer com os pincéis em três bocados de tinta: “Então vá lá: queres o quê, verde?”. Começou a misturar o azul com o amarelo e perguntou-me se gostava  daquele “verde“. Depois começou a pintar um bocadinho. “Não gostas? Queres mais escuro? Vais ali e escureces. Queres castanho? Misturas vermelho”. Fiquei fascinado com aquela química, com a possibilidade de sermos nós a fazer a cor imediatamente, de sermos nós a comandar a tonalidade. Era muito estimulante; fiz logo a minha pintura, enchi a folha toda como ele aconselhara, com um animal fantástico, complexíssimo, cheio de cores.
Entreguei o trabalho convencido que teria mais um Suficiente. Quando mo devolveu fiquei muito orgulhoso porque tive um Muito Bom! O estímulo que nos dava era enorme e a partir daí fiquei completamente fã daquelas aulas; bebia tudo o que nos dizia.

Lagoa Henriques foi nosso professor no primeiro ano, na ESBAL, a Desenho de Estátua. Foi logo uma descoberta fantástica! Estava ali toda a gente com paus de carvão, “fixador” para pôr no fim, imenso miolo de pão para apagar, “esfuminhos”, umas coisas de feltro em forma de lápis para esfregar e que tiravam, precisamente, a graça do carvão, o registo dos nossos riscos.
Estávamos então, nós, com esses truques todos, e Lagoa Henriques entrou e começou logo aos gritos! Viu umas pessoas com miolo de pão: “O que é isso pá? É para os pombos? Dá cá!” Deitou o pão todo pela janela fora, “não quero cá miolo de pão!”.
O primeiro exercício passava pela observação e registo de uma cadeira. Pôs a cadeira num plinto e pediu que cada um a desenhasse a partir do respetivo ponto de vista. Eu estava muito contente porque tinha conseguido uma aproximação muito credível à imagem da cadeira… a folha de papel era enorme, era para aí um A2, ou maior, de cavalinho, como era suposto, presa com punaises na prancheta, ao alto. Tinha desenhado a cadeira com não mais do que uns dez centímetros de altura, no meio da folha, muito perfeitinha. Estava todo satisfeito a desenhar, e Lagoa Henriques olhou para aquilo e disse-me: “Ouve lá!” – eu a pensar que ele me ia gabar imenso, mas pegou-me no carvão, desenhou um retângulo pequenino à volta da cadeira, um retângulo que continha a cadeira no meio daquela folha toda –, “Ouve lá, a tua folha de papel é deste tamanho? Porque é que desenhas como se a folha fosse apenas isto? Faz um desenho na proporção da folha!”, aos berros; ao segundo dia eu já gostava imenso daquelas aulas, de Lagoa Henriques e dos seus métodos. Percebi que a onda era realmente experimentarmos, mais do que estarmos ali a repisar o que já sabíamos, e que ele estava completamente aberto a deixar-se encantar com situações novas.
Propunha-nos que desenhássemos -- na altura era bastante surpreendente --, ramos de árvores que apanhava pelo caminho ou uma outra coisa qualquer que encontrasse no lixo – uma máquina esquisita, por exemplo. Outras vezes, eram aqueles bustos em gesso que havia na antiga Escola de Belas Artes, que reproduziam estatuária clássica. Pretendia era um olhar mais moderno. Se se criava um qualquer quadradão preto, por trás, para fazer ressaltar a peça, ele valorizava logo: “Vá, é isso mesmo! Vamos embora!”. A certa altura, deixei o carvão, comecei a desenhar com esferográfica, levei aguarelas, levei lápis de cor, comecei a experimentar outros materiais, o tubo de “tinta da China” diretamente, como se fosse uma caneta, e ele sempre a estimular, a celebrar! Foram de uma enorme intensidade, aquelas aulas!

Por fim, chega Manuel Vicente, o único, dos professores de Arquitetura, que teve interesse. E que também foi muito pouco canónico, muito pouco ortodoxo. Só tivémos aulas com ele por um período de tempo pequeno e foram, realmente, incríveis! Acho que ele nos dava duas cadeiras, Teoria da Conceção – uma coisa inventada na altura [1976], que depois acabou –, e Projeto.
Estávamos ali quatro horas à conversa, à volta de uma mesa. Todos os dias nos trazia um tema. Nunca projetou uma imagem, nunca vimos uma imagem! Os temas eram livros, textos, filmes, ideias. Coisas que não conhecíamos, nem fazíamos a mínima ideia que existissem, sobretudo as de Arquitetura. Falava-nos da Arquitetura que tinha visto, dos espaços que tinha visitado, do que tinha pensado nessas visitas, e falava-nos de Louis Khan, quando tinha estudado com Khan, de Robert Venturi, de Denise Scott-Brown, de Luis Barragan, de Aldo Rossi – de ter ido ao Gallaratese e de ter ficado de boca aberta debaixo do que não seria uma simples junta de dilatação –, punha-nos a falar a nós, perguntava-nos onde vivíamos, que experiências arquitetónicas tínhamos tido, em que cidades é que já tínhamos estado, onde é que tínhamos ido, onde é que não tínhamos ido. Foi fascinante.
Trouxe-nos a revista L’Architecture d’Aujourd’hui dedicada a Portugal, aquele número que saiu em 1976   [(# 185). Paris: maio], e nós ficámos fascinados. Havia trabalhos dele, de Siza, de Távora, de Byrne, de Hestnes Ferreira, de uma série de pessoas. Claro que Álvaro Siza era o único que conhecíamos (ou julgávamos conhecer); éramos muito ignorantes, não conhecíamos nada.
As aulas de Manuel Vicente, para mim, foram sempre muito reconciliadoras com o que eu “estava à espera”, em Arquitetura, mas ainda não me tinha sido proporcionado! Mandava-nos ver coisas – a Cova do Vapôr, por exemplo --, observar, fazer fotografias. Depois, projetavam-se os slides na aula e comentavam-se. Foi muito, muito excitante! Mas as aulas não eram só isso, eram aulas sobre muitas coisas, sobre Arte, sobre Arquitetura, mas também sobre a vida, sobre a relação apaixonada da vida com a Arquitetura. Por tudo isso, muito lhe devo.

Filipa Ramalhete (FR): Essas experiências que o marcaram, aconteceram num contexto muito diferente daquele que o país vive hoje, e portanto eram professores um pouco à margem daquele país cinzento e daquele ensino muito conservador e castrador, e muito académico. Hoje consegue transpôr para os seus alunos este tipo de abordagem? Essa irreverência que esses professores esperavam que os alunos tivessem?
 



Mgd: Eu acho que continua a ser válido ter essa pretensão, pelo menos. O ensino nos Liceus é bastante conformista. Não digo que é melhor ou pior de que o aquele que eu tive. Provavelmente, em alguns pontos até será bastante melhor (espero…), mas de uma maneira geral, continua muito conformista. Continua a ser um ensino para não pensar, que não leva as pessoas a refletir e a gostarem de refletir, muito baseado no decorar – no aprender técnicas e fórmulas. É um pouco como esses testes de Código de Estrada. Para tirarem a carta, têm todos que fazer um exame complementar de Código de Estrada, não é? E os engenheiros, ou os monitores, que dão formação nessa suposta sabedoria – que transmitem esse conhecimento que está condensado num livro de vinte ou trinta páginas –, ensinam “truques” para resolver os testes! E o Liceu está todo assim. Os miúdos chegam à Universidade com esse espírito. Muito pouco dados a pensar, muito pouco dados a refletir, muito pouco dados a gostar de compreender por si próprios. A quererem a papa feita, a quererem fórmulas. “Dei isso no Liceu, mas foi no ano passado, já não me lembro!”, é uma frase recorrente, que sintetiza este modo um pouco frustrado de grande parte das pessoas se relacionar com o conhecimento.

Eu acho que há sempre um registo de subversão possível: levar a perceber que é muito mais interessante sermos nós a descobrir as coisas, se nos derem os instrumentos para o fazermos. No fundo, foi o que se passou com estes professores que referi. Deram-me instrumentos para eu tentar encontrar coisas, depois, por mim. Nessa altura, não o entenderia completamente, mas hoje tenho a certeza que o registo era esse. Esse campo continua completamente em aberto. Acho que a nossa função, enquanto professores, é ver qual é a melhor maneira de dar a cada um, dentro do possível (e nesta Escola, que não é uma Escola de massas, isso está, de algum modo, mais facilitado), dar, a cada um, os instrumentos necessários para conseguir chegar ao conhecimento, por si, e depois, a partir daí, elaborar, fazer, propor, inventar, descobrir-se a si próprio e às suas capacidades e limitações.

FR: Já de alguns anos, tem a experiência da Escola grande (pública), e da Escola pequena (privada). É muito diferente? Há diferenças fundamentais, neste momento? Neste desafio do ensino da Arquitetura, no tipo de exercícios, nas respostas que os alunos dão?
 



Mgd: A diferença não residirá tanto no facto de se estar perante um número maior ou menor de alunos, mas em situações bastante mais perversas. Reside no facto de nas Escolas oficiais estarem, de um modo geral, os alunos que provêm de famílias mais abastadas, que têm um nível cultural mais qualificado. E embora isso hoje também não seja assim tão preto no branco – como terá sido aqui há uns tempos –, é perverso, porque, ao contrário do que se poderia ser levado a pensar, nas Escolas privadas acabam por estar, a maior parte das vezes, os alunos de proveniências mais modestas, que não tiveram nunca grandes classificações, nem estímulos suficientes ao estudo que os motivassem e que lhes permitissem entrar no ensino oficial. Os que têm esse estigma social são, na maior parte dos casos, piores alunos e acabam os Liceus com piores notas.

Sou muito crítico do ensino que se pratica hoje nos Liceus, e diria até, no seguimento da conversa de há pouco, que esses alunos que entram no oficial são, provavelmente, muito mais presos, cheios de “tiques” de “bom aluno” e de “cumpridor”. Ser “bom aluno” e “cumpridor” não quer dizer nada, porque geralmente esse estatuto é conquistado quando se é pouco criativo e quando não se questiona muito o “saber” que o mainstream valoriza. Por outro lado, os alunos das privadas, uma vez que não são recrutadoos entre os “melhores”, poderiam ser um pouco mais selvagens, menos “arregimentados”, menos previsíveis; mas também não chega a ser bem assim; nada disto é completamente verdade, ainda que houvesse essa hipótese.
Eu não vejo grandes diferenças, a única coisa de que por vezes me apercebo é que há alunos um pouco mais estruturados no Ensino Público, com as ideias mais arrumadas, capazes de ler um livro e percebê-lo mais rapidamente. Capazes de receber uma questão e de a desenvolver, ainda que uma grande parte num registo de “menina bem comportada”, e não de personalidade criativa, com vontade de avançar. É sempre preciso lutar, acabar com as “caixas de repetição” com as “meninas bem comportadas”, tão do agrado das famílias e pô-los um bocado mais em confronto com o mundo!

JCL: E em termos de saídas profissionais desses alunos, acha que há diferença entre fazer o curso numa Universidade Pública ou fazer o curso numa Privada?
 


 

Mgd: Não sei como é que os meus colegas arquitetos veem isso. Neste momento, as dificuldades são para todos. Já de há uns anos para cá, cada vez o mercado está mais saturado, mas eu nunca olhei assim para os alunos que me vinham pedir para fazer estágio ou para colaborar connosco. Nunca tomei em linha de conta a origem do curso. Dou aulas em duas das melhores Escolas do País, no Porto, na FAUP, e em Lisboa, aqui no DA/UAL, e sei muito bem que há alunos ótimos, interessantíssimos, mas também há alunos fracos ou pouco vocacionados. As Escolas, por melhores que sejam, não chumbam os candidatos, tirando casos extremos. As boas Escolas vão tentando acompanhar os alunos, vão tentando que eles sejam melhores do que quando chegaram, mais livres, que fiquem a saber mais, que tenham mais curiosidade, que estejam mais informados, mais cultos, mas se houver casos mais “empedernidos” não será a Escola a conseguir mudá-los radicalmente. Como tal, eu nunca ligo muito à origem escolar, ainda que ache que algumas Escolas (Privadas ou Públicas) sejam melhores do que outras, e, que então, provavelmente, os respetivos estudantes terão tido, ao longo do curso, contacto com situações mais interessantes, mais criativas. Mas, francamente, acho que é quase como alguém nos perguntar qual foi a Escola Primária que frequentámos. Há sempre coisas a aprender, e um jovem arquiteto, todos temos consciência disso, não é nada enquanto não começar a trabalhar, enquanto não passar dois ou três anos envolvido num atelier. Só uns anos de trabalho é que poderão vir a fazer dele um bom colaborador, ou um bom arquiteto, ou o que seja. O papel das Escolas de Arquitetura é familiarizar os futuros arquitetos com a área de conhecimento que escolheram, abrir-lhes horizontes, propor-lhes novas experiências, mostrar-lhes que o mundo é muito mais complexo do que a ideia plana que a cultura dominante pretende fazer passar; não é tanto preparar “profissionais” que possam vir a ser eficazes no “mundo do trabalho”. Essa seria uma visão economicista do ensino; eu partilho de uma visão mais “humanista”.

FR: No fundo, as Universidades de hoje em dia têm a responsabilidade de fornecer aos alunos capacidade crítica, que é uma coisa que eles não aprendem no Liceu…

Mgd: Claro. Nem os Liceus, nem os meios de comunicação ajudam muito. E todo o ambiente está muito formatado para um determinado padrão de vida. Provavelmente, agora, as coisas vão mudar, com todos estes problemas económicos em que estamos metidos. Mas, durante muitos anos apostou-se, acima de tudo, numa espécie de facilidade. O tanto faz. Havia dinheiro – parecia haver dinheiro –, o mundo era bom, era giro, era tudo muito divertido, não era preciso pensar muito. Quando se vê um filme não é preciso pensar muito, comem-se pipocas e bebe-se coca-cola e é tudo uma festa (uma festa no pior dos sentidos do termo, eu gosto de festas…). Nem sequer é uma festa, aquilo é tudo para passar o tempo. É uma expressão que odeio: “passatempo”. Passar o tempo é uma coisa para as pessoas que estão à espera de morrer: têm de passar o tempo até chegar essa hora. “O que é que estás a fazer? Estou fazer um passatempo”.

Uma pessoa que goste de Arquitetura, ou de outra profissão qualquer, que goste da profissão que escolheu ou da área de estudos que escolheu, não tem que “passar o tempo”. Tudo deverá ser suficientemente interessante para o interessar a tempo inteiro. Essa ideia de “passar o tempo”, de ter hobbies, de estar sempre com os headphones, a ouvir musiquinhas, essa espécie de vida vazia, é muito encorajada, porque no fundo, garante cidadãos dóceis. São pessoas que não criam problemas à “máquina”, à “superestrutura”. Não entram paus na engrenagem, com cidadãos assim. É tudo respeitador, quer tudo ter uma casa, uma família, um carro, quer tudo aprender a conduzir, fazem os Exames de Código tal e qual como os professores mandam! É tudo muito bem educado e muito dócil.
Faz parte de qualquer Instituição de Ensino, seja Universitário, Público ou Privado, seja Primário, seja Secundário, perturbar um bocado. Não é magoar ninguém! É, realmente, mexer com o interior das pessoas. Dar-lhes uma única certeza: que as coisas não têm um único ponto de vista. Conseguir criar-lhes essa visão; porque há uma grande tendência para achar que tudo aquilo que temos é mais ou menos estável, é adquirido. E nem estou a falar nos temas sociais e económicos, estou a falar na cultura em si. No conhecimento em si. Tudo estável, tudo fácil. E as pessoas não estão preparadas para duvidar, para terem dúvidas, para questionar, para se interrogar a si próprias, para interrogar a vida, para interrogar o social, para interrogar a cultura. Acho que qualquer Instituição de Ensino deverá passar por aí; tem que instalar essa ideia de dúvida.

Eu gosto bastante de fazer alusões ao vestuário dos alunos; o paralelo por vezes poderá ser forçado, mas funciona. Porque a maior parte não se importa nada de andar “disparatadamente” vestidos, com botas até ao joelho e, em simultâneo, com os rins à mostra, por exemplo. E quando estão naquelas conversas “bem comportadas”, a reproduzir o que ouvem em casa ou na televisão, atiro-lhes, “Olhe lá, se pretende ir para o mundo do funcional, acha que o seu vestuário funciona? Está com frio nos pés e não tem frio nos rins? Há qualquer coisa que não bate certo ! Não estará assim vestido porque gosta? Porque quer? Haverá, então, uma forma de expressão que escolheu e que ultrapassa, em muito, o registo estritamente utilitário. Pense bem nisso, e veja a implicação que poderá aportar a outros campos do saber!”. Ou, “Gosta de andar com as calças velhas, usadas, coçadas, rasgadas, mas, depois, diz que a cidade está muito feia, muito porca, muito suja, e que os responsáveis políticos deviam ser presos porque não mandam pintar os edifícios?… Quero dizer, faz conversa de tia em relação à cidade, mas gosta muito de andar com roupa um pouco “gasta”! Veja lá se percebe porque é que gosta das jeans velhas; não será porque as jeans novas não parecem conter tanta história, tanto tempo? Provavelmente, haverá um qualquer encanto numa certa obsolescência, numa certa patine!” Há sempre muitos campos deste género para os estimular, para os ajudar a pensar de outras maneiras. Não é para ficarem a pensar como eu; quero lá saber como é que venham a pensar! Quero é que não pensem como todos!