PEDRO REIS - 2ªPARTE

© Pedro Frade - Todos os direitos reservados

Entrevista Completa
em pdf: http://hdl.handle.net/11144/2687 

 

E, entretanto, quando estava nessa fase de mudança houve a destruição de Timor. E eu estava numa fase de transição na minha vida, a planear vir para Lisboa, e, entretanto, decidi que as minhas coisas iam para Lisboa, mas eu ia para Timor. Porque, de uma certa forma, um pouco romântica, achava que, depois de ter lido o (Ruy) Cinatti e de vir com toda a formação da Escola do Porto e de ter estado dois anos a fazer casas de milionários que só iam usar as casas durante uma semana, apetecia-me encontrar ali outro foco de interesse para o trabalho e outra abordagem, ligada à resolução de problemas que seriam vitais para a vida das pessoas. E esse sentido da arquitetura era o que estava a faltar na experiência de Nova Iorque.

Ainda vim para Lisboa, estive cá estacionado a fazer uns concursos com o José Adrião e o Pedro Pacheco durante um ou dois meses, mas rapidamente fui para Timor e comecei a trabalhar.

Depois fui convidado pelas Nações Unidas para montar, no fundo, a operação de reconstrução do país. Porque com a destruição, a seguir ao referendo, como é sabido instituiu-se a missão das Nações Unidas com o objetivo de fazer a transição, de reconstruir o país e organizar a administração do território, numa fase de transição, até se conseguir implementar uma administração timorense. Portanto, o mandato era muito claro: era preciso reconstruir as infraestruturas básicas, reconstruir e construir edifícios para podermos ter uma administração a funcionar – não havia nem tribunais, nem hospitais, nem escolas, nem prisões – e era preciso montar uma estrutura para fazer esta operação. Numa fase inicial, da parte da ONU, houve uma certa dificuldade em compreender a abrangência deste mandato, porque até lá as Nações Unidas estavam habituadas a fazer missões de manutenção de paz, e, de facto, fazer uma operação para a reconstrução de um país e estabelecer uma administração transitória não é só uma operação que tem a ver com questões militares e administrativas. Mas rapidamente se percebeu isso e foi aí que eu entrei. Obviamente, porque tinha um percurso como arquiteto, já tinha alguma experiência, tinha a vantagem de ser português e de poder usar a minha língua e também ter à vontade para usar o inglês como língua de trabalho e essa conjugação fez com que fizesse sentido ir para lá montar isto.

 

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Partimos do zero, definimos uma estratégia. Primeiro fizemos um levantamento de todos os edifícios destruídos, fizemos uma análise sobre as possibilidades de reabilitação dos edifícios - muitos deles, para além de ser originalmente mal construídos, também tinham sido bastante afetados pelo fogo, as estruturas estavam deformadas, muitos deles, irrecuperáveis – mas, dentro daquilo que foi possível, estabelecemos este plano, definimos quais eram os edifícios na cidade… Mas estamos a falar de uma pequena escala! Timor tinha 800 mil pessoas, na altura. Estamos a falar de uma operação a nível do país todo, mas era uma coisa relativamente pequena.

 

E no fundo este trabalho não era propriamente de Projeto. Era um trabalho de gestão, no qual a minha formação de arquiteto foi, de certa forma, vital para conseguir hierarquizar e construir aquilo que eu acho que é fundamental, que é construir a equação certa. Perceber quais são os problemas, como é que se formula a equação e, a partir daí, tentar resolver a equação. E havia duas coisas que eram muito importantes: primeiro, tinha de se fazer tudo num curto espaço de tempo – muito curto porque a missão tinha a duração de dois anos e nós tínhamos de ter, supostamente, todos os edifícios a funcionar onde as pessoas possam trabalhar normalmente. Depois, havia a questão do financiamento – havia vários fundos que participaram na reconstrução, uns da ONU outros através do Banco Mundial, e era preciso conjugá-los. Depois, havia vários tipos de projetos – de grande escala e de menor escala - e, a certa altura, apercebi-me de que se todos estes processos fossem incorporados na ONU o que iria acontecer é que íamos fazer uns concursos públicos aos quais só as grandes empresas é que podiam concorrer, iam ser só empresas estrangeiras, todo este financiamento que entraria, rapidamente iria sair… O que eu tentei fazer, dentro da ONU, foi definir pacotes diferentes. Ou seja, agrupar alguns edifícios que claramente precisam de maior capacidade para serem executados rapidamente, e aí não há alternativa a não ser ir buscar grandes empresas, que conseguem dar a resposta rapidamente, mas os edifícios de pequena escala, podiam ser feitos por empresas locais. Existia imensa mão de obra no país, que era basicamente gerida por uma série de empresas indonésias, na altura, e havia duas ou três com o mínimo de estrutura. E o meu trabalho, nessa altura, foi andar pelos distritos todos a fazer sessões de esclarecimento e a tentar mobilizar as pessoas que tinham o mínimo de know-how para se juntarem e fazerem pequenas empresas para poderem concorrer a pequenas obras.

 

Trabalhar para as Nações Unidas tinha graça porque eu tive de montar uma equipa e esta equipa tinha engenheiros do Nepal, arquitetos de todas as partes do mundo… muitas vezes, eram enviadas pelo sistema sem ter qualquer noção do sítio para onde iam, foi muito difícil montar esta equipa. Senti que havia uma grande dificuldade, da parte da ONU, em encontrar as pessoas certas para o lugar certo. E não conseguíamos fazer o trabalho enquanto não conseguíssemos juntar todas aquelas pessoas de forma a elas não se sentirem completamente inúteis. Tínhamos um duplo trabalho! Eventualmente as coisas foram melhorando e foram resultando e fomos conseguindo trazer para a equipa pessoas com um perfil mais adequado, mas foi uma grande dificuldade. E, desde logo, tentámos envolver timorenses e pessoas que tivessem alguma relação com Timor e que tivessem alguma formação ou experiência.

 

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Numa segunda fase, passámos para o projeto da reabilitação escolar, que foi um plano financiado por doadores e administrado pelo Banco Mundial. Fazia parte do plano da Indonésia a ocupação do território; o domínio político garantido através da presença dos militares mas, sobretudo, através das escolas, da educação e da instalação de uma série de empresas e indústrias e de criação de trabalho. Havia escolas e casas para os militares todos os aglomerados em Timor…. Houve muita construção, desde os anos 70 até ao final do século passado, mas a maior parte daquelas escolas já não fazia muito sentido. E, portanto, houve um grande projeto de mapeamento escolar para definir quais fechavam, quais as que se poderia melhorar e quais é que não fazia sentido existirem. E o que nós fizemos foi, basicamente, um plano para definir diferentes escalas de projeto e aqui, pela primeira vez, se punha a questão da arquitetura. Até aqui, o que fazíamos era definir uma série de standardsnimos de construção, infraestruturas técnicas e de acabamentos, mas nas escolas estávamos a criar a partir do zero.

 

Já tinha existido uma equipa anterior, com quem não tinha corrido nada bem, porque chegaram lá já com um modelo completamente imposto. E o que é que eu fiz? Montei uma equipa de timorenses, com mais arquitetos e engenheiros que levei de Portugal e da Austrália, e estivemos, de certa forma, a desmontar o modelo da escola. Fomos perceber quais eram os modelos que eram conhecidos no território, fomos ver os indonésios, outros modelos já usados pelo Banco Mundial noutras situações idênticas, modelos anteriores, até ao tempo português, e fomos tentar analisar quais eram as vantagens e desvantagens de cada um e como é que nós podíamos criar um modelo que fosse adaptável às várias topografias do país e que, de certa forma, surgisse desta discussão e deste projeto. Que fosse algo que fosse aceite por todos como o projeto de uma escola para Timor, que, no fundo, era o que estávamos a fazer. Eu lancei as bases desse projeto, mas depois voltei. Mas esse trabalho foi feito e está feito.

 

Depois, com as Nações Unidas, ainda melhorámos o processo porque tudo tinha de ser, construtivamente, muito simples. E ao mesmo tempo que fazíamos a construção das escolas a ideia era fazer aprendizagem, ou seja, a ideia era fazer o treino das equipas de construção, melhorar a qualidade da construção. Porque, na realidade, era aquilo que faltava. Era muito difícil subir um patamar no desenvolvimento se não atacássemos todos os elementos e todas as ações que interferem numa obra. Depois a equipa que montei, ficou autónoma e com a Independência, decidi vir para Lisboa.

 

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E quando voltaste, foi quando decidiste montar um atelier próprio? Como é que foi esse processo?

O tempo de Timor foi muito intenso. Nós trabalhámos das sete da manhã à meia-noite, todos os dias, durante dois anos e pouco. Era muito intenso porque havia uma energia fortíssima na cidade.

Nunca mais me esqueço que, quando chegámos lá, a cidade ainda cheirava a fumo, a queimado; as chuvas tropicais prolongavam os cheiros da madeira queimada e, durante meses e meses, a cidade cheirava a queimado. Até que, passado um ano, começaram a aparecer os primeiros pássaros. É uma coisa fantástica! De repente, começam-se a ouvir pássaros na cidade e ao fim de dois anos a cidade, de facto, tinha renascido. E nós nem nos apercebíamos disso! Foi uma missão muito especial, porque trouxe pessoas muito novas, com vontade de fazer, e trouxe o melhor que as Nações Unidas tinham na altura. E isso sentia-se porque a vontade de que aquela missão corresse bem era enorme e nós estávamos super empenhados. E, de facto, dá um gozo enorme sentirmos que o nosso trabalho tem um impacto imediato na vida das pessoas. Ao contrário do que acontece com os nossos projetos de arquitetura, que demoram imenso tempo até se conseguirem realizar, nós sabíamos que ali tínhamos uma missão para desenvolver num curto espaço de tempo e os resultados não só são imediatos como são compensadores, porque sabemos que a vida das pessoas mudou, de facto, para melhor.

 

A seguir vim para Lisboa! Tinha de reiniciar a minha vida, já há muito tempo que não vinha a Lisboa e decidi começar o meu atelier. Tive um pequeno projeto de um apartamento de uma amiga… a seguir, logo nos meses a seguir, fiz um concurso para o Museu de Arte Contemporânea de Elvas, com uma equipa multidisciplinar com o designer de equipamento Filipe Alarcão e o designer Henrique Cayatte e o Arquiteto João Regal e tivemos sorte! Conseguimos ganhar o concurso e foi o projeto de arranque.

Eu não tinha tido grande experiência de projeto pessoal, tinha sempre trabalhado em ateliers e, por isso, este foi o meu primeiro. E foi um ótimo projeto para começar! A seguir a isso, foi o desenvolvimento normal, fazer umas casas e uns concursos, e ter a sorte de ganhar mais uns concursos…

 

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E essa experiência de coordenares equipas muito grandes (noutros ateliers) dá-te vontade de aumentares o atelier ou, pelo outro lado, um atelier mais pequeno, como procuraste em Nova Iorque, é o teu modelo de atelier?

Aí há uma questão que é decisiva e fundamental. Uma coisa é nós gerirmos uma empresa, ou estrutura, ou organização, para a qual não temos qualquer responsabilidade em pensar na gestão financeira e em custos – como quando trabalhamos na ONU ou noutra organização, o lucro não é o objetivo e há sempre alguém que trata dessa parte e nós concentramo-nos só em resolver o nosso trabalho – quando falamos da organização de uma grande estrutura de atelier e temos de perceber em como se financia tudo isto, é completamente diferente. Mas, de facto, se fosse um objetivo meu ter um atelier que tinha de crescer imenso, teria sido esse o caminho que teria procurado desenvolver, mas não, não foi. Sempre apostei em ter um atelier relativamente pequeno, onde consigo estar envolvido em todas as fases do projeto, desde a conceção até ao acompanhamento de obra, e, sobretudo, na relação com o cliente, que é das coisas que mais prazer me dá e à qual eu dou bastante importância. Não que tenha alguma coisa contra os grandes ateliers, acho que deve ser fantástico desenvolver projetos enormes e com imenso impacto, mas, de facto, a pequena escala é a forma como me estruturei.

 

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Contaste-nos a tua experiência enquanto aluno, por um lado na Escola do Porto com uma metodologia muito clara, e depois, como aluno Erasmus, em Inglaterra, com uma liberdade muito diferente. Tem sido uma constante nos últimos entrevistados, a ideia de dar aos alunos aquilo que eles não tiveram enquanto alunos, tentar ser o professor que nunca tiveram… Como é que passas essas experiências para a tua experiência enquanto professor?

Não há uma preocupação minha de tentar dar aos alunos aquilo que não tive. Acho que tive a sorte de ter uma escola que me permitiu ter uma formação muito sólida, que foi a Escola do Porto. Que me deixou marcas, ainda hoje sinto imensas vantagens na forma em como desenvolvo o projeto, em relação à metodologia; mas também sinto que ela é, de certa forma, castradora de outras possíveis abordagens. Porque, de facto, foi muito marcante e isso condiciona a minha maneira de trabalhar, há uma série de opções que eu não tomo, simplesmente porque sei que aquele sentido não é a forma como o meu raciocínio está estruturado.

 

A relação entre a forma como eu olho para o meu percurso como aluno - e de como eu posso transpô-lo para a minha aprendizagem como professor e para a relação com os meus alunos -, no fundo é muito direta! Acho que é importantíssimo que os alunos sintam, no professor, alguém que lhes está a direcionar uma pesquisa e que lhes está a balizar o seu desenvolvimento, mas tem que ser o próprio professor a definir e abrir o campo de abordagem. E a metodologia, muitas vezes, passa por isso.

Por exemplo, eu comecei a dar aulas ao 1º ano, antes da Autónoma, ainda na Universidade Moderna, quando o professor Ricardo Carvalho me convidou (na altura ele era lá professor, estava também o professor José Adrião), e comecei logo a perceber que havia um campo de pesquisa enorme e que podíamos fazê-lo logo no 1º ano.

 

O 1ºano, para mim, é um ano muito especial para um aluno porque, se correr bem, se o professor for bom, e se o aluno estiver minimamente interessado, é um ano em que conseguimos incutir nos alunos o fascínio pela arquitetura! É o ano em que conseguimos deixar lá uma semente que depois o aluno vai desenvolver, com a cultura que vai adquirindo com o percurso na escola.

 

Mais tarde fui convidado pelo (Manuel) Graça Dias para vir para a Universidade Autónoma, e fui assistente dele, com exercícios muito interessantes, e também fui desenvolvendo outros, e fomos tentando diversificar um leque de exercícios que permitam aos alunos perceber a capacidade transformadora da arquitetura. Como esta pode, de facto, transformar a vida das pessoas, e como um espaço com configurações diferentes, pode ter um efeito completamente diferente na forma como nós o vivemos… No fundo, conseguir uma série de ferramentas que lhes permita compreender o mundo à sua volta, e como o pode transformar. Esta compreensão é fundamental! Depois, obviamente, é preciso introduzir cultura! Cultura arquitetónica. É preciso que olhem para o mundo que está à sua volta, não com um olhar de adolescente mas com um olhar de um jovem adulto que está a descobrir e a construir a sua formação para uma eventual profissão.

 

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Nos últimos anos começaste a lecionar, também, no 4ºano?

Sim! O 1ºano é muito intenso! E quando chegamos a um ponto em que sabemos que já não estamos a 100%, quando há um desgaste e antes que ele se manifeste, é preciso mudar. E eu achei que era importante fazer uma transição para outra fase no percurso da aprendizagem em que já há mais conhecimento arquitetónico, já há mais cultura, já há mais desejo pela investigação (que é algo que, no 1ºano, ainda não existe), e tenho estado com o professor Nuno Mateus a seguir o 4ºano, na UAL.

 

Temos desenvolvido uma abordagem que pode ser muito estimulante para os alunos, que é a ideia de nós conseguirmos desenvolver uma metodologia de trabalho sobre várias cidades europeias e potencialmente em qualquer parte do mundo. Como se conhece e compreende o território, como se abordam os sistemas de transformação da cidade, os sistemas morfológicos, as topografias, como conseguimos compreender a cidade, numa primeira análise, para depois conseguirmos, de uma forma operativa, numa abordagem muito próxima áquilo que é a abordagem do trabalho que se desenvolve no atelier – obviamente, não tentando ser mimético mas aproximando de algumas preocupações que nós temos no universo profissional – permitir que os alunos adquiram uma série de ferramentas que lhes permitam, não só ter uma metodologia de trabalho, como ganhar a confiança para perceber que podem chegar a qualquer parte do mundo e têm ferramentas para descodificar qualquer lugar e, a partir daí, desenvolver um projeto. Isso, para mim, parece-me uma aprendizagem cada vez mais útil porque, com a globalização, com a capacidade que hoje temos de ir trabalhar para sítios diferentes e com a necessidade que temos de o fazer. E acho que a escola tem essa obrigação. De preparar os alunos para, pelo menos, fazê-los ver que o campo de atuação do arquiteto pode ser em qualquer parte do mundo. Isso parece-me ser fundamental.

 

Obviamente, houve sempre arquitetos a viajar, mas a partir dos anos 90, a mobilidade é muitíssimo diferente. Simultaneamente, aquilo que era o trabalho clássico num atelier também é hoje muito diferente. Que conselhos davas a um aluno finalista hoje? Ou seja, se acabasses o curso hoje, qual seria o teu percurso? O que é que um aluno de hoje tem que não tinhas, que ferramentas é que importa ter para cada um escolher a sua rota?

Eu acho que as ferramentas são fundamentais. Acho que podemos ter todos a ilusão de que, com pequenos conhecimentos, podemos ir para o mundo inteiro fazer coisas fantásticas e isso não é verdade. Não é verdade, porque temos de ter conhecimentos minimamente sólidos e temos de ter a confiança para chegar a um sítio e saber o que se pode fazer, e procurar ver como se pode fazer aquilo que queremos fazer. Porque coisas para fazer no mundo há em todo o lado! Agora, o que interessa é perceber aquilo que, de facto, pode transformar a vida das pessoas e ter impacto na nossa própria vida, em termos de retorno que possamos daí tirar.

 

O conselho que dou é que invistam numa formação sólida. Têm de ter uma experiência de projeto a sério, num atelier de que gostem e que faça um trabalho consistente e de qualidade. Porque isso é a base para depois se poder olhar e partir para qualquer parte do mundo e conseguir ter segurança para se sentir bem e começar a desbravar outras aventuras e outros sistemas. E acho que isso é fundamental porque, hoje em dia, há esta ideia de que nós podemos ir para qualquer sítio, fazer coisas super interessantes e que são super mediatizadas e que nos preenchem as páginas da internet, mas que depois tem muito pouco impacto na vida das pessoas. Acho que há uma certa desproporção, acho que a arquitetura, hoje, é demasiado mediatizada, é um excesso. Acho que é fantástica a maneira como a fotografia de arquitetura revolucionou a forma como se comunica a arquitetura, sem dúvida nenhuma, mas acho que é um excesso porque, às tantas, é um percurso paralelo. Há uma realidade, que é a arquitetura, a realidade dos edifícios, que tem impacto na vida das pessoas. Outra coisa é todo o universo que acontece em paralelo. E, às tantas, estamos a falar de coisas que são completamente diferentes e isso não é arquitetura. A arquitetura não é uma bolha!