RICARDO CARVALHO . 1ª PARTE

© Pedro Frade - Todos os direitos reservados

 

É com enorme prazer que hoje temos como nosso convidado o arquiteto e professor Ricardo Carvalho. Seja bem-vindo! Queríamos começar por pedir que nos contasse um pouco do seu percurso académico como aluno, quais foram os professores ou exercícios marcantes?

Boa tarde. Obrigado pelo convite. É uma honra estar aqui, nesta sucessão de convidados que, no fundo, são fruto do Da/ UAL.

Falar de um percurso académico, no caso de um arquiteto, é sempre um bom modo de explicar o seu próprio trabalho. No meu caso, temos de regressar aos anos 90. Andei na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, entre 1990 e 1995. E parte do meu percurso explica-se face a uma perplexidade. Entrei numa escola completamente à deriva onde dominava uma absoluta ausência de debate acerca dos temas de arquitetura (ou de outros quaisquer). Isso fez com que os meus colegas e eu tivéssemos de procurar, fora da escola, o que significava aprender a pensar e fazer Arquitetura. Nesse sentido começou o meu interesse pela viagem. A viagem foi um modo de conviver com obras de arquitetura que me podiam dar aquilo que eu não encontrava na universidade. Procurei fazer da viagem uma prática que pertencesse à escola e fi-lo com alguns amigos. Na altura era mais comum viajar de comboio, aproveitávamos o Interrail para ir à procura dos trabalhos que nós achávamos interessantes. Também tentámos trazer para a Arquitetura coisas que nós gostávamos, música, arte, literatura, tudo no pátio e na cisterna do Convento de S. Francisco. Tudo isto produziu uma forma de estar na universidade que transcendeu em absoluto aquilo que se passava nas aulas.

É claro que há sempre professores marcantes. No meu percurso diria que o Carlos Lameiro e o Jorge Spencer, no segundo ano, foram absolutamente marcantes. Foi muito difícil fazer o 2ºano porque foi um ano de mergulho em questões conceptuais e numa poética muito particular que nos era proposta, e isso fez com que tivéssemos de trabalhar arduamente. Foi muito bom e interessante. Depois, a deriva continuou até encontrar o Manuel Aires Mateus. A sua radicalidade e capacidade de desconstrução daquilo que eram os estereótipos do ensino fascinavam qualquer aluno de Arquitetura.

Apesar da deriva de que falava, existiam ótimos professores de Teoria e de História de Arquitetura. E isso motivou em mim um gosto que ficou. Tive ótimos professores, o João Belo Rodeia e o Michel Toussaint que foram marcantes e também alguns professores de História da Antiguidade. Portanto, o meu curso fez-se a partir deste puzzle: poucas figuras, mas figuras muito radicais (cada uma delas à sua maneira, com grande intensidade no modo como abordavam as suas cadeiras), a viagem e aquilo que eu chamo de Mundos Paralelos que informam a Arquitetura.

Devo dizer que o meu percurso pela Faculdade de Arquitetura foi também um desafio, no sentido em que era mesmo preciso termos a certeza de que queríamos ser arquitetos para poder avançar.

 

A escolha pela Arquitetura foi muito pensada ou foi de outra maneira?

Os meus pais contam que eu desenhava compulsivamente, com todos os suportes que tinha à mão. Todos os dias. Todos os dias oferecia um desenho aos meus pais. E esses desenhos oscilavam entre duas coisas: retratos de pessoas e arquiteturas inventadas, castelos no mar, palácios que eventualmente teria visto na televisão e também, catedrais ortodoxas russas, pelo tema das cúpulas, pela sua forma bastante exótica.

A escolha pela Arquitetura de algum modo, esteve sempre presente, mas não por pressão familiar. Não tenho arquitetos na família. Os meus pais acharam esta decisão tão exótica e ao mesmo tempo tão verdadeira, que foram os grandes responsáveis. Apoiaram-me imenso, foram comprando livros sobre arquitetura, procuravam estimular a conversa em torno da arquitetura – embora não dominassem a disciplina – e nesse sentido tive o caminho facilitado. O meu caminho estava em aberto e foi por aí que fui.

 

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E nessa altura não havia a quantidade de informação disponível que há hoje sobre arquitetura e sobre arquitetos. Tinhas alguns arquitetos que já te fascinavam antes de ires para a faculdade?

A minha relação com a arquitetura contemporânea é uma relação muito tardia. É uma relação que se estabeleceu sempre com a arquitetura do passado, uma ligação à chamada Arquitetura Clássica. Os grandes edifícios do mundo ocidental foram os edifícios que pude descobrir com a minha família e abordar e conversar. Curiosamente, na universidade, a Arquitetura não era discutida de todo, todos os grandes protagonistas do debate internacional não passaram pela escola e portanto a minha relação continuou a ser com as arquiteturas do passado. E quando viajava, com 18/19 anos, a arquitetura que ia ver – porque não conhecia o resto – continuava a ser aquela do Miguel Ângelo, Leonardo Da Vinci, Bramante, Giulio Romano. Posso dizer que o arquiteto em que me tornei foi um arquiteto profundamente influenciado pelo passado, não por programa conceptual ou por uma posição construída, mas porque era aquilo que conhecia. A arquitetura contemporânea veio muito depois.

Houve um arquiteto que mudou para sempre a minha forma de ver a Arquitetura. Mais ou menos a meio do curso, li a “Arquitetura da Cidade” de Aldo Rossi, e aí começou uma relação de absoluta intensidade. Li tudo o que Aldo Rossi escreveu, fui ver as obras dele e, ao mesmo, tempo comecei ver as obras de Álvaro Siza – é importante dizer que o Siza não era discutido na Faculdade de Arquitetura de Lisboa, tínhamos de o descobrir por nós e foi isso que fizemos. Fui ver as piscinas e a Casa de Chá (de Leça da Palmeira) e muitas outras obras. De repente, estas duas figuras tornaram-se tutelares para mim. Ainda o são, e é interessante porque também são as figuras tutelares das pessoas que fizeram o curso nos anos 80 e, eventualmente, das pessoas que fizeram o curso nos anos 70 – parece que nada mudou…

Isto para vos dizer que as posições sobre a cidade e o mundo contemporâneo de arquitetos como o Rem Koolhaas, por exemplo, não eram abordadas na faculdade. Eram muito interessantes e contaminaram todo o debate desde os anos 90, mas a escola não teve a capacidade de chamar para si essa inquietação que estava a acontecer na Europa, liderada pelo panorama holandês.

 

Mais tarde, quando davas aulas no Departamento de Arquitetura da Universidade Moderna, chegaste a organizar viagens sobre arquitetura. Conta-nos como foi.

Sim. Começou com um grupo de amigos com quem já tinha uma relação de amizade anterior à própria universidade e incorporámos pessoas que conhecemos na FAUL, de quem fiquei amigo. Eram viagens que tinham a arquitetura como motivo mas, como sabemos, a arquitetura está na vida. A Arquitetura está lá mas há muitas coisas a acontecer em simultâneo. Começou, como disse há pouco, com um fascínio pela Arquitetura do Renascimento, fomos ver todas aquelas obras que achamos ser fundacionais.

Depois isso continuou nas viagens com alunos, mas sobretudo nas viagens com o grupo que estava na Ordem dos Arquitetos no princípio dos anos 2000, que me pediu para alargar o grupo. E foi assim que fomos a vários sítios do mundo para ver obras específicas de arquitetura. Estou a falar de Berlim, Chicago, Cidade do México, Los Angeles, Zurique ou de São Paulo. A Viagem tornou-se uma forma de estar na disciplina.

 

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E quando é que te tornaste professor?

Foi muito pouco tempo depois de acabar o curso. Acabei em 1995 e quando se acaba um curso, abre-se um vazio. No meu caso nunca foi um vazio feito de indecisão. Era um vazio feito de interesses completamente distintos. Queria trabalhar em Arquitetura mas também achava que podia experimentar ser professor universitário, como achava que o mundo das publicações e das revistas era absolutamente atraente. As coisas acabaram todas por acontecer ao mesmo tempo, como muitas coisas que nos acontecem na vida, não vêm por capítulos! Vêm numa espécie de tempestade perfeita.

Praticamente ao mesmo tempo, a Joana Vilhena e eu, acabámos por ter encomendas de trabalho de Arquitetura que gravitavam nos contactos familiares e conseguimos montar um minúsculo atelier. Ao mesmo tempo, o Michel Toussaint telefona-me a dizer que a editora do JA- Jornal dos Arquitetos, por motivos pessoais, tinha decidido sair e que era preciso uma pessoa para levar a revista para a frente e o desafio era ocupar esse lugar. A resposta foi obviamente afirmativa e juntei-me ao Michel. Em simultâneo, com uma diferença de poucos meses, há um curso de Arquitetura na Universidade Moderna, que entretanto acabou, que estava a passar por uma crise no programa pedagógico de Projeto, houve a necessidade de renovar o corpo docente e entraram uma série de pessoas novas para dar várias cadeiras, Projeto incluído. E essas pessoas novas tocam de perto o panorama da arquitetura portuguesa contemporânea e tocam de perto, inclusivamente, o Da/ UAL. Além de mim estavam o José Adrião, o Ricardo Bak Gordon, o Fernando Martins, o Pedro Reis, o João Santa-Rita, o Diogo Burnay, o Victor Mestre (espero não me estar a esquecer de ninguém). E, de repente, vi-me envolvido num projeto pedagógico de que nada sabia mas rodeado de pessoas incríveis e foi um momento interessante.

Outro momento interessante foi quando nos fomos todos embora e foi aí que o Nuno Mateus, que era diretor do Da/ UAL, percebeu esta movimentação e telefonou-me a perguntar se eu não queria juntar-me ao grupo. E eu disse imediatamente que sim!

 

Quer dizer que o primeiro trabalho de atelier foi já um atelier autónomo? Não passaste por estágio noutros ateliers de arquitetura? Em que ateliers é que estiveste?

Acabei o curso em 1995 e imediatamente a seguir pensei em fazer um mestrado em Londres e candidatei-me. Mas, ao mesmo tempo que isto aconteceu, fizemos um concurso. A Joana Vilhena, o Gonçalo Castro, a Rute Figueiredo e eu. Esse concurso internacional era o Prémio Thyssen, era um concurso importantíssimo, para o novo Museu dos Coches e para a Escola Equestre Portuguesa (exatamente no sítio onde o Museu dos Coches está hoje construído). Tinha um júri de peso, o Álvaro Siza era um dos membros, o Santiago Calatrava também. Fizemos o concurso naquele momento de hesitação de que vos falava há pouco, na gestão do vazio. Alugámos um pequeno apartamento na Graça, para fazer um atelier e o primeiro trabalho foi aquele concurso. Fizemo-lo com total dedicação, havia também um outro projeto pequeno a decorrer mas aquele era “O” projeto, e depois de o fazer pensámos que tínhamos de ir às nossas vidas porque não é possível este caminho (tínhamos saído da faculdade há semanas). E, de repente, estava no atelier à noite, toca o telefone e dizem-me: “É da organização do concurso e vocês ganharam um dos três primeiros prémios.” Eu fiquei em silêncio a pensar que estavam a brincar. O concurso tinha tido 250 propostas e nós achámos que aquilo era uma coisa impensável de poder chegar a algum lado!

Este prémio teve três pontos positivos: primeiro teve uma enorme exposição mediática; segundo tinha um prémio monetário simpático; e, em terceiro, fez-nos acreditar que era possível continuar a fazer alguma coisa a partir daí. Portanto o meu trabalho como arquiteto foi sempre um trabalho de partilha entre o meu projeto pessoal, enquanto arquiteto com atelier próprio, e o trabalho com outras pessoas. Isso aconteceu com o Fernando Salvador e a Margarida Grácio Nunes que me chamaram para trabalhar – era muito fácil porque o atelier deles era na rua de baixo e demorava cinco minutos entre os dois e por isso conseguia conjugar – e foi uma experiência de trabalho ótima. Acho que aqueles dois arquitetos têm uma capacidade de gerar felicidade no atelier, que eu sei que não é uma coisa muito comum. E portanto foi um trabalho de que me lembro com imensa felicidade. O trabalho que fiz, que ainda durou cerca de um ano, foi o plano para a Bica do Sapato – que incluí dois projetos, o Lux e o restaurante Bica do Sapato.

Depois disso, com as aulas, com o JA- Jornal dos Arquitetos, com os poucos trabalhos que eu e a Joana tínhamos no atelier, era impossível comprometer-me com outra estrutura. O Fernando e a Margarida tentaram várias vezes que eu voltasse mas não era possível. Acho que o meu projeto de vida era a conjugação destas três coisas e foi nisso que acreditei, até hoje. Continuo a acreditar nas três. E, portanto, fui sempre um arquiteto dividido.

 

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A certa altura, já estavas a lecionar na UAL e há a oportunidade (ou a sequência lógica) de ocupares a direção do curso… 

Foi uma sequência de muitos anos! Entre entrar como professor e isso acontecer passaram quase dez anos. Quando entrei, o diretor do curso era o Nuno Mateus e que era também o professor com quem eu dava aulas. Portanto, a equipa do 2ºano era composta pelo Nuno Mateus, o Fernando Salvador e eu. A experiência foi bastante interessante porque fui progredindo no sentido em que fui tendo a experiência dos vários anos. Primeiro estive no 2ºano, depois no 3ºano, com o Nuno Mateus, e depois com o José Adrião. Acabei por ter uma experiência muito variada em termos de parcerias, dentro do Da/ UAL.

A progressão para a direção deu-se de uma forma distinta. O Nuno sai e a escola decide que o arquiteto João Luís Carrilho da Graça (JLCG) seria o Diretor seguinte. A condição que o JLCG impõe é que o Flávio Barbini e eu pudéssemos dar apoio à direção. O Flávio acaba por ser nomeado Subdiretor e eu fico como Secretário Académico. O JLCG, passado pouco tempo, talvez um ano e meio, assume outros compromissos e tem de sair e a escola volta a ter de decidir sobre o que vai acontecer e o Flávio Barbini é nomeado como Diretor. Era eu a pessoa melhor posicionada para assumir a posição de Subdiretor e assim continuámos durante algum tempo. E assim foi até ao Flávio Barbini também decidir sair e nesse momento há uma nova situação que se cria mas desta vez há uma novidade: é necessário que a nova direção seja assumida com pessoas com perfil académico que anteriormente não teria sido necessário e portanto eu era a pessoa que, por um lado tinha a experiência da direção de alguns anos e, por outro lado, reunia essas outras condições que têm a ver com o ser doutorado e poder corresponder aquilo que são as balizas que a tutela impõe. Era a pessoa que se posicionava, naturalmente, para assumir aquele papel. E aqui estou.

 

Na tua experiência de ensino, lecionaste sempre Projeto e também algumas disciplinas teóricas. O teu grande objetivo é proporcionar aos teus alunos aquilo que não tiveste?

Nunca tinha pensado nisso! De facto, nunca tive aquilo que se passa no Da/ UAL. Nunca tive, enquanto aluno, a sensação de fazer parte de uma instituição que tivesse um projeto pedagógico. Acho que é isso que o Da/ Ual tenta garantir. E, sim! Essa ideia que para mim é tão importante tanto no atelier de projeto como nas cadeiras teóricas, pode ser uma resposta a um vazio que senti. Sem dúvida. Diria até que tento que a escola estabeleça um cordão umbilical com estes alunos, que, como sabemos, são bastante jovens, e a cultura contemporânea, precisamente porque senti que isso não acontecia quando estudei Arquitetura. Acho que isso é fundamental! É óbvio que a história da Arquitetura serve sempre como cultura arquitetónica, mas fazermos eclipsar o que se passa hoje, numa espécie de isolamento do mundo, é entrar em perda. E o que eu tento fazer, como arquiteto e como professor, é conjugar a riqueza que vem do passado com uma enorme riqueza que é o presente.

 

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Qual é a relação da tua prática profissional e o que fazes nas tuas aulas? Isto porque dás aulas ao 3ºano que é o fim do 1ºciclo e é um momento muito marcante para os alunos. Queres contar um pouco da tua experiência?

Nunca dei aulas sozinho e portanto a construção do argumento foi sempre feita em parceria. No caso do 3ºano esta construção foi profundamente partilhada com o José Adrião e com o Rui Mendes porque nós construímos aquilo que queríamos que se passasse ali e que é muito simples de explicar. O que nós queremos que se passe dentro do atelier de projeto é a experimentação de um método.

Primeiro começamos com a celebração da arquitetura. Cada aluno escolhe um projeto entre um conjunto de 20/30 obras e tem de nos contar aquela obra como se fosse sua. Essa obra de arquitetura gera um ponto de partida e uma celebração da qualidade. Qualidade heterogénea, vamos buscar coisas ao Paraguai, podem ser coisas do Solano Benitez, do Paulo Mendes da Rocha, do Álvaro Siza, do Peter Zumthor, enfim. Propositadamente, o leque de escolhas é muito heterogéneo para que entrem em conflito posições distintas, maneiras de ver, maneiras de construir, a perceção do lugar, trabalho sobre o programa, investigação sobre a materialidade. Depois vem um exercício que é dividido em três pontos: lugar, programa, material. E assim acaba. E o que é que nós queremos?

Queremos que os nossos alunos defendam, individualmente, uma posição sobre um lugar, um ponto de vista que é pessoal e que é uma contribuição arquitetónica para o debate; com o programa queremos uma investigação que vai variando de ano para ano mas nunca acabamos por ter o mesmo programa na turma, porque queremos que cada aluno incorpore, naquilo que lançamos como tema, outro espaço pessoal. Por exemplo, este semestre estamos a fazer um abrigo de sementes, num antigo assentamento militar na Arrábida, e a ideia é que este abrigo proteja um conjunto de espécies para o futuro. Já há alguns exemplos construídos no mundo e pedimos que cada aluno, paralelamente ao abrigo de sementes nos proponha uma componente programática que ache que faça sentido para aquele lugar. E, por último, a investigação sobre o material que tem de fazer a síntese conceptual de tudo aquilo que se desenvolveu atrás. Ou seja, a construção é obviamente a consequência de um percurso.

Este método exige uma coisa que alguns alunos têm dificuldade em cumprir, e é por isso que se fala da exigência e de ser um ano marcante, exige uma entrega absoluta. Porque, a cada passo, é preciso contribuir com uma coisa que mais ninguém tem que é a nossa visão do mundo e a nossa posição perante um problema. Isso, para alguns, é motivo de absoluto fascínio, para outros é motivo de alguma angústia.

A relação entre o atelier, que tenho com a Joana Vilhena, e o atelier da escola é umbilical. Eu não faço nada, num sítio ou noutro, em que eu não acredite. Não peço nada, a um aluno ou colaborador, em que não acredite. A entrega e a exigência são exatamente as mesmas, ou seja, tem de ser total. Não há possibilidade de separar a arquitetura da vida.