editorial ZERO

A prática em Arquitetura está intrinsecamente ligada à vida na Terra, às suas variações climatéricas, aos diferentes estados de desenvolvimento de cada população e a cada uma das suas especificidades locais e mundiais. E é deste ponto de vista que nada se exclui da prática em arquitetura.

Também a CRISE virá influenciar o modo de pensar a Arquitetura em geral, assim como já tem alterado o modo de agir do arquiteto perante os diferentes desafios que lhe são colocados atualmente. Cada vez mais, fora da mainstream, vão surgindo novos princípios e sistemas complexos que exploram maneiras alternativas de nos posicionarmos perante o desequilíbrio do sistema que todos se tinham esquecido que era frágil – o sistema capitalista. Fora do sistema que cria arquiteturas da imagem através de formalismos demasiados dispendiosos para serem suportados durante um período de tempo alargado, são levantadas questões e encontradas soluções capazes de colocar a prática contemporânea que conhecemos em xeque-mate. De modo algum podemos deixar passar esta oportunidade para olhar para o lado e partilhar conhecimentos sobre outras realidades, outras práticas, outras maneiras de pensar e de agir, de modo a conseguir colocar melhores questões e encontrar melhores soluções.

Terá o arquiteto poder para ajudar a resolver alguma CRISE? Que mudanças poderão ser propostas e que outras serão inevitáveis? Mas afinal que CRISE vivemos hoje?

Começamos esta série de publicações com o tema mais debatido nos dias de hoje – a CRISE – e para dar início ao debate e partilha de conhecimento, convidámos a participar com os primeiros artigos, a Dª Lia Vasconcelos – doutorada em Engenharia do Ambiente/Sistemas Sociais, mestre em Arquitetura e Planeamento Regional e Urbano e coordenadora de diversas iniciativas de participação colaborativa na governância política – e o atelier equatoriano Al Borde – que tem desenvolvido o seu trabalho à volta da utilização sustentável dos recursos, da redução de gastos supérfluos na construção, da utilização de sistemas de entreajuda comunitária e do retorno à noção primitiva do habitar o planeta.

Temos, assim, duas abordagens: a do atelier para quem as novas dificuldades são o motor para novas abordagens; e a que defende que o caminho que nos trouxe até aqui não é aquele que nos permitirá avançar, nem encontrar respostas inovadoras. As duas encontram-se na criação de comunidades de prática que resultam da integração de vários tipos de saberes, formais e informais, na busca da solução mais adequada para cada crise, ou situação.

Paralelamente convidámos o arquiteto Manuel Graça Dias para uma conversa nos estúdios da U.A.L., onde pudemos saber mais um pouco sobre o seu percurso como aluno, professor e arquiteto, e através da mesma entrevista acabámos por falar da educação falhada que resulta em alunos insensíveis e acríticos e da falta de flexibilidade do Estado para desenvolver sinergias positivas – em resumo, sobre as várias crises do país e da soma de todas na atual CRISE em que vivemos.

 
filipa ramalhete + joao caria lopes